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XVII Encontro de Professores de Língua Portuguesa nos Estados Unidos e Canadá

CONCLUSÕES

O XVII Encontro de Professores de Língua Portuguesa nos Estados Unidos e Canadá, subordinado ao tema “Cruzando os Mares com a Língua Portuguesa”, realizado a bordo do navio Spirit da Norwegian Cruise Lines e no Clube Português Vasco da Gama das Bermudas, proporcionou, mais uma vez, a aprendizagem sobre técnicas de ensino do português como língua estrangeira, e a reflexão e apuramento de várias ideias e contributos que se prendem com o futuro da nossa língua e cultura no continente norte americano.

1. Neste Encontro os docentes tiveram oportunidade de aprender formas pedagógicas de ensinar a língua portuguesa como língua estrangeira, incorporando elementos da herança lusa, assim como elementos linguísticos e culturais das vivências luso-americanas e luso-canadianas.

O encontro foi exemplo, claro e inequívoco, que nas nossas comunidades existem os técnicos e os recursos para fazer formação de professores e que o governo português os deve utilizar por estarem mais ligados a esta realidade.

2. Mais uma vez se debateu a situação da língua portuguesa no continente norte-americano e se concluiu que há a necessidade do governo português implementar no continente norte-americano, com a máxima urgência, a nova lei orgânica do EPE de forma a abranger todos os níveis de ensino, incluindo as escolas comunitárias, o ensino oficial e as universidades.

Chegou-se à conclusão que é imprescindível que as coordenações de ensino tenham como principais objectivos a abertura de vários cursos de língua e cultura portuguesas nas escolas públicas americanas e canadianas, a promoção de acções de formação regulares e com formadores que conheçam a realidade do ensino do Português como língua estrangeira, e o apoio às escolas comunitárias em zonas de forte concentração dos nossos emigrantes e onde esta é a ainda a única forma dos luso-descendentes aprenderem o português.

3. Constatou-se a necessidade de apoiar os professores com vínculo a Portugal ou contratados localmente, que leccionam nas escolas comunitárias do continente americano dando-lhes condições e formação específica para que possam ser eles, também, factores de promoção da nossa língua e cultura junto das escolas oficiais dos dois países, uma vez que conhecem perfeitamente esta realidade.


4. Continua a ser consensual que a Associação de Professores de Português dos EUA e Canadá, deverá ser parceira no desenvolvimento das políticas da língua do governo português; que a mesma associação deve continuar a progredir no sentido de tornar-se uma voz activa nos movimentos de ensino das línguas estrangeiras no continente norte-americano; que se continue a trabalhar para que o segmento da associação dedicado aos Professores de origem portuguesa, leccionando outras disciplinas, seja fortalecido a fim de que APPEUC seja uma força congregadora de todos quantos trabalham no sector do ensino público e privado nos EUA e Canadá e que sejam de origem lusa.


5. No último dia, os participantes foram divididos em grupos de trabalho que abordaram os seguintes temas:

1 – Escolas comunitárias
2 – Ensino Integrado
3 – Formação de Professores e material de apoio
4 – Coordenações de Ensino nos EUA e Canadá e futuro da Associação de Professores (APPEUC),

apresentando as seguintes propostas:

5. a. – Na área das escolas comunitárias os congressistas foram unânimes em reconhecer a importância destas escolas no futuro da língua e cultura portuguesas no Canadá e América;

5.b. – é urgente e absolutamente necessária a formação dos docentes destas escolas na área do Português como Língua estrangeira;

5.c. – é necessária uma comunicação e colaboração mais estreita entre as Coordenações de Ensino, os professores e os directores escolares;

5.d. – para aumentar o número de alunos destas escolas é urgente lançar uma campanha de marketing da língua junto das comunidades portuguesas, americanas e lusófonas, na comunicação social, nas associações, etc.

5. e. – é urgente a criação de um currículo (programa) específico para o ensino do português nas escolas comunitárias

6. Na área da formação de professores e materiais de apoio o grupo de trabalho decidiu:

6.a. É urgente desenvolver iniciativas de formação pedagógica para professores de diferentes ciclos/níveis de ensino

6.b. As acções de formação devem incidir sobre pedagogia, ensino do Português como língua estrangeira, planeamento de aulas, criação e desenvolvimento de materiais de apoio, elaboração de programas

6.c. É urgente a criação e desenvolvimento de materiais específicos para o ensino do Português como língua estrangeira

6.d. É necessário o envolvimento da família e o movimento associativo e a comunicação social das nossas comunidades

6.e. Sugere-se a criação de um blogue como plataforma de partilha de estratégias, actividades e sugestões

7. Na área do ensino integrado, o grupo de trabalho decidiu:

7.1. A necessidade de se criar lóbis comunitários que possam pressionar as autoridades locais dos seus respectivos distritos escolares para a criação do Português como língua estrangeira de opção nos seus currículos

7.2. Para isso, é fundamental que sejam concertadas estratégias de actuação entre todas as forças vivas da comunidade, Embaixada, Consulados, Coordenações de Ensino e Conselho das Comunidades.

7.3. Promover a assinatura de memorandos de entendimento entre as escolas comunitárias e escolas secundárias de modo a que os créditos pelos anos de frequência a Português nas primeiras possam ser reconhecidos pelas escolas oficiais canadianas e americanas.

7.4. Criar um grupo de trabalho para articular programas/cursos de língua e cultura portuguesa a nível secundário e universitário.

8. Na área do futuro da Associação de Professores, o grupo de trabalho decidiu:

8.a. – dar uma nova designação em inglês à Associação de Professores que chamar-se North American Association of Portuguese Teachers (NAPT/APPEUC), mantendo-se a sigla APPEUC como identificação em português;

8.b – criar dento dos corpos directivos a designação de delegados para as várias províncias do Canadá e estados americanos reflectindo assim a realidade geográfica dos associados;

8.c. – criar paralelamente uma Associação de Amigos da Língua Portuguesa (Friends of the Portuguese Language (FPL) para apoiar a associação na preservação e divulgação da língua e cultura Portuguesas

9. Por último, em relação à Bermuda, os participantes concluíram que é imperioso e absolutamente essencial que as autoridades portuguesas apoiem a escola do Clube Vasco da Gama por ser o único veículo de divulgação e promoção da língua portuguesa nesta ilha, particularmente porque grande parte da comunidade portuguesa aqui residente tem o seu regresso marcado no tempo consequência das leis de emigração. Neste cenário, é fundamental para estas famílias que os seus descendentes aprendam a língua portuguesa de modo a que quando regressarem a Portugal não sejam descriminados ou excluídos nas escolas portuguesas.


Bermuda, 16 de Julho de 2009